
Heraldo Rocha, médico pediatra, ex-secretário de Sau?de da Bahia e ex-deputado estadual
A campanha política, que deveria ser marcada pelo confronto de ideias e pela apresentação de propostas para a sociedade, tem se desviado de seu propósito essencial. O que se vê, cada vez mais, é a transformação desse espaço democrático em um verdadeiro “mercado persa”, onde o voto — instrumento sagrado da cidadania — passa a ser tratado como mercadoria.
Denúncias recentes publicadas por um portal de grande audiência expõem uma realidade alarmante: a suspeita de compra de votos em pleno processo eleitoral. Trata-se de uma prática criminosa, que fere a legislação, compromete a lisura das eleições e desrespeita o eleitor.
A compra de votos não é apenas um ato ilegal — é um golpe contra a democracia. Ao trocar favores, dinheiro ou benefícios por apoio político, candidatos desvirtuam o processo eleitoral e comprometem a legitimidade dos eleitos. Quem compra votos não governa com compromisso público, mas com interesses particulares.
Diante da gravidade dos fatos, é imprescindível que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) atue com rigor. A apuração precisa ser rápida, transparente e, sobretudo, resultar em punições exemplares para todos os envolvidos. A Justiça Eleitoral não pode ser omissa diante de um escândalo dessa magnitude.
Mas o combate a esse tipo de prática não depende apenas das instituições. A sociedade tem papel decisivo. É preciso denunciar, fiscalizar e, acima de tudo, rejeitar qualquer tentativa de compra de consciência. O voto é livre, inegociável e deve refletir a vontade do cidadão, não o poder econômico de candidatos.
Se permitirmos que a política se transforme em comércio, estaremos abrindo mão do futuro. A democracia exige vigilância constante — e, neste momento, ela está sendo colocada à prova.