
Na manhã de terça-feira, um fato passou despercebido do olhar da grande população itabunense – a exceção da mídia policial e dos óbvios comentários nas redes sociais: o brutal assassinato de uma jovem de dezenove anos em situação de rua, em pleno centro da cidade.
Maria Vitória Santos Sousa, de dezenove anos, foi morta a pauladas na cabeça na madrugada daquele dia. O local do crime, rua Sóstenes Miranda, fica cerca de duzentos metros do 2.º Comando de Policiamento Regional da Polícia Militar.
No dia seguinte, na Câmara de Vereadores, as comissões de Legislação e da Mulher “validaram o estabelecimento de diretrizes e políticas públicas focadas na defesa da mulher em Itabuna”. O projeto atua em três frentes: prevenção da violência, combate ao machismo e promoção da valorização feminina.
“As diretrizes apresentadas no projeto passam por combater e prevenir as diversas facetas da violência – física, psicológica, sexual, moral, obstétrica e patrimonial – até promover o acolhimento humanizado das vítimas nos órgãos municipais que fazem parte da rede de proteção à mulher”.
Muitos foram os discursos e os pronunciamentos, nenhum fez referência à morte brutal da pobre Maria Vitória. Março é mês de luta, de conquistas, de vitórias das mulheres. Mas, para muitos, moradora de rua, mesmo em março, não é mulher; é apenas um número, uma estatística...